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Discurso do Presidente da República, Jair Bolsonaro, Solenidade de Assinatura da Medida Provisória da Vacina contra o Coronavírus (COVID-19) - Palácio do Planalto

Palácio do Planalto, 06 de agosto de 2020

 

Prezado Pazuello, colega paraquedista,

            Major Vitor Hugo,

            Almirante Barra,

            Senhora Nísia,

            Autoridades,

            Parlamentares,

            Meus cumprimentos a todos.

 

            Eu sou capitão do Exército, minha atividade é outra. Mas me coloco no lugar de um médico, no momento que tem que decidir.

            Prezado Peternelli, se, em Juiz de Fora, o médico fosse esperar exames, eu teria morrido. E tinha que decidir. Mesmo que, porventura, estivesse nasoenterizado, ele tinha que cortar minha barriga naquele momento.

            Eu sempre digo, é um ensinamento militar: pior que uma decisão mal tomada é uma indecisão. Não pode ficar parado ali… “Fique em casa”. Não dá. Desde o começo, eu adotei essa linha.

            E a gente fica triste, prezada Tereza Cristina, quando a gente vê pessoas assinando decreto proibindo determinado medicamento. Mesmo que não tinha comprovação científica, mas ele não apresentava uma alternativa. O que está em jogo? Vidas.

            E, desde o começo, eu assumi essa postura: tinha que fazer alguma coisa, mesmo não sendo médico. Mas conversei com muitos médicos pelo Brasil. E todos me falaram da questão do off labels, não é? Fora da bula. Se essa prática tivesse sido adotada décadas e décadas atrás, muitas doenças estariam vivas até hoje por aí, sem solução. Estudando um pouquinho, eu fui ver lá na Guerra do Pacífico. O soldado chegava ferido, não tinha mais de quem receber sangue, daí descobriram que “vamos meter água de coco na veia dele”. E deu certo. Dezenas, centenas de vidas foram salvas. Se fosse esperar uma comprovação científica, quantos não teriam morrido naquele momento?

            Hoje, tínhamos um protocolo do ministro primeiro, na Saúde, que mandava aplicar, apenas em estado grave, a hidroxicloroquina. É jogar comprimido fora. Não precisa ter conhecimento, nem cérebro, para entender que é jogar comprimido fora e perder vidas. Tive desentendimento? Sim. Não é o que eu quero, mas muitos médicos achavam, inclusive o Osmar Terra, que a linha não era aquela. E, lamentavelmente, esse ministro virou, aí, um comentarista da Globo, por várias e várias semanas, até que o trocamos. Depois, o outro ministro, teve um problema pessoal, de foro íntimo, e saiu. E entrou o interino.

            Nada impus ao Pazuello. Falei para ele conversar. São 5 mil servidores aqui em Brasília, não é isso? Cinco mil, quatrocentos e setenta. Ele levou 15 militares para lá. Militares técnicos. Porque um dos grandes problemas da administração pública é a gestão. E é um ministério, para ser educado, complicado. E, obviamente, tem gente que “tem que ter um médico lá”. O ideal é que fosse um médico gestor. E não temos essa facilidade de encontrar um médico gestor; é difícil. E ele começou a dar certo na gestão.

            Há duas semanas, fiquei sabendo que 17 secretários de Saúde estaduais foram consultá-lo e todos elogiaram o trabalho dele, porque tudo que eles precisavam, e nós tínhamos meios - tínhamos o apoio do Parlamento, da Câmara e do Senado, tivemos o apoio do Tribunal de Contas da União -  eram atendidos. E o objetivo de achatar a curva, lá atrás, era evitar o engarrafamento, o amontoamento de gente em hospitais, sem que tivesse meios para atendê-los.

            Pelo que eu tenho conhecimento, posso estar equivocado, não chegou ao meu conhecimento, pelo menos, que tenhamos perdido vidas por falta de leitos de UTIs ou respiradores. No que parece, não sei se em algum local aconteceu isso. Alguns casos, sim, é possível, mas a grande maioria tinha equipamento lá; como hoje em dia, hospitais de campanha são desativados, equipamentos são remanejados para outros municípios, para atender à demanda que vem aí.

            Eu fui cerceado, o meu governo, na possibilidade de discutir esse assunto; pelo nosso, aqui, à minha esquerda aqui, o Supremo Tribunal Federal. A nós coube apenas, praticamente, fornecer meios e recursos para estados e municípios. Pará, por exemplo, recebeu mais de R$ 2 bilhões. E isso foi feito de forma proporcional.

            Estamos com a consciência tranquila. Não existia naquela época, como não existe ainda, uma vacina. Não existia medicamento, apenas a promessa, num primeiro momento, da hidroxicloroquina, depois outras coisas apareceram. Lamento que em alguns locais do Brasil, o respectivo chefe do Executivo continua proibindo isso, repito, sem apresentar alternativas.

            O ser humano é ágil. E nós, muitas vezes, agimos de acordo com a necessidade. E o Ministério da Saúde - meus cumprimentos, agora, ao Pazuello e toda a sua equipe -, que procuraram meios, no mundo, de buscar a vacina. E assinamos esse protocolo, no passado, fazendo, passando a fazer parte desse seleto grupo. A nossa contrapartida, basicamente, é financeira, no momento com algumas pessoas também, mas basicamente financeira no momento, quase R$ 2 bilhões. Talvez em dezembro, talvez, dezembro, janeiro, exista a possibilidade da vacina, e daí esse problema estará vencido, poucas semanas depois. E, o que é mais importante: nessa vacina, diferente daquela outra que um governador resolveu acertar com outro país, vem a tecnologia para nós. Aí, junto com os meios que nós temos, nós temos como, realmente, dizer que fizemos o possível e o impossível para salvar vidas. Ao contrário daqueles que teimam em continuar na oposição, desde 2018, dizer o contrário.

            Então, a todos os senhores, esse pessoal maravilhoso que está aqui: dona Nísia; Pazuello; prezado líder do governo, aí, Vitor Hugo; prezado almirante Barra, presidente da Anvisa. Meus parabéns a todos vocês e dizer que eu estou muito feliz em estar dentro desse projeto para salvar vidas e para servir o nosso Brasil.

            Muito obrigado a todos.